Terapia Cognitivo Comportamental

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TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL

A educação é um processo capaz de trazer mudanças. Porém, esse caminho envolve a tomada de consciência, a construção de valores e identidade para uma formação coerente com a cidadania, que ofereça condições de uma aprendizagem que faça sentido e crie competências. É nessa direção que os gestores, professores e funcionários devem investir em sua própria formação: construir competências no exercício de sua atuação, desenvolvendo fortalecimento instrumental para as diferentes situações. Mas, como criar condições de um trabalho competente, que não depende apenas do conjunto de conteúdos previstos em seus planejamentos? Algumas respostas podem ser encontradas nos estudos científicos, que se debruçam em pesquisas para entender o comportamento e suas bases cognitivas.

Há uma concordância em relação ao reconhecimento de que os métodos da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) ajudam a produzir melhores resultados, mas eles não fazem parte dos cursos de capacitação. Em todo o mundo a Terapia Cognitiva está sendo aplicada com eficácia, muitas vezes, em associação a outros tratamentos ou cuidados. Também foi testada a eficácia da Terapia Cognitiva para indivíduos com diferentes níveis de educação ou renda e foi adaptada para ser utilizada em todas as idades, da pré-escola até idosos; tanto para tratamento individual como para terapia de grupo e também para terapia familiar.

Há um forte desejo dos profissionais de saúde e educação de conhecer alternativas empiricamente validadas, que possam instrumentalizar seu trabalho, alinhado com objetivos e conhecimentos, que são as bases da competência em qualquer realização. Professor ou pais não têm que se especializar em terapias para exercer seu trabalho, mas deve conhecer e ter acesso a esses recursos, sendo capaz de utilizá-los em favor da qualidade de vida sua e de sua comunidade.

Neste resumo de texto, cita-se brevemente o surgimento das TCCs, no âmbito da própria evolução do conceito de saúde mental, seguida de uma síntese atual dos trabalhos que dizem respeito à modificação das cognições e emoções, de acordo com os princípios da aprendizagem social e da psicologia cognitiva, procurando-se mostrar que os conceitos de TCC podem ser úteis nas escolas, auxiliando professores e pais na busca pela competência em suas inter relações.

 

Resumo do histórico

Durante observações clínicas e estudos experimentais, Aaron Beck encontrou evidências de que os pacientes deprimidos apresentavam uma tendência a evitar comportamentos de desaprovação, o que contradizia a teoria psicanalítica de que os pacientes deprimidos apresentam necessidade de sofrer. As descrições dos pacientes sobre si mesmos e de suas experiências evidenciavam pensamentos e visões negativas de si, de suas experiências de vida e do seu futuro. Beck deu a esses pensamentos o nome de “pensamento automático”, porque não precisam ser estimulados para surgir. Esses pensamentos são o resultado da forma do indivíduo interpretar as situações do dia a dia, e, sendo assim, o que fica “gravado” como importante: não é o acontecimento real, mas a percepção do indivíduo sobre aquele fato. Se um adolescente foi humilhado quando tentou ajudar alguém a carregar uma mala e foi chamado de desastrado e inútil, ele poderá concluir que não vale a pena ser gentil e, conforme sua experiência anterior, ele poderá não suportar fazer ações para o outro, porque acredita que será sempre assim. Tais visões subjetivas demonstram distorções cognitivas da realidade vivida.

 

O que é Terapia Cognitiva

A Terapia Cognitiva é uma abordagem orientada para o presente, ativa e breve, direcionada para resolver os problemas atuais e modificar os pensamentos e comportamentos disfuncionais.

O modelo cognitivo foi originalmente construído de acordo com pesquisas conduzidas por Aaron Beck para explicar os processos psicológicos na depressão, em discordância com a teoria freudiana de depressão, que avaliava os sintomas como hostilidade voltada para si mesmo e reprimida.   Entretanto, ao invés de hostilidade e raiva, a pesquisa sobre os sonhos dos pacientes deprimidos mostrou um “senso de derrota, fracasso e perda”.

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) baseia-se na hipótese de vulnerabilidade cognitiva como um modelo de transtorno emocional. SeuTCC princípio básico, que reflete uma postura construtivista de que nossas representações de eventos internos e externos não são um evento em si e determinam nossas respostas emocionais e comportamentais. Nossas cognições ou interpretações sobre os fatos refletem formas de processar informação e constituem a base dos transtornos emocionais.

A Terapia Cognitivo-Comportamental apresenta características que a distinguem de outras formas de psicoterapia, que são o tempo curto e limitado e a eficácia comprovada através de estudos empíricos, em várias áreas de transtornos emocionais como depressão, transtornos de ansiedade (fobias, pânico, hipocondria, transtorno obsessivo-compulsivo), dependência química, transtornos alimentares, problemas interpessoais, incluindo terapia familiar e de casal, etc., para adultos, crianças e adolescentes, nas modalidades individual e em grupo. Sua utilização no tratamento de psicoses apresenta resultados encorajadores. A TCC ainda é indicada como coadjuvante no tratamento de transtornos orgânicos, e em intervenções nas áreas de educação, organizações e esportes (Knapp e Beck, 2008).

 Livro AprendizagemOBS.: Esses trechos foram retirados de: VALLE, L. E. L. R. Terapia Cognitivo Comportamental e a Educação de Crianças e Adolescentes. In: “APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES”, Rio de Janeiro: Editora WAK, 2015, p. 207-242.