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Desenvolvimento Infantil e a Pré-escola

O ingresso precoce das crianças na escola propicia algumas vantagens. A pré-escola facilita o processo de alfabetização e o melhor aproveitamento no ensino fundamental. Entretanto, a expansão da Educação Infantil no Brasil, observada nos últimos anos, impõe uma reestruturação nos conceitos fundamentais em Psicologia da Educação, para que esta exerça sua função transformadora e preventiva.

A Importância da Pré-escola

A pré-escola dirige-se a crianças em fase de formação biopsicossocial. A definição de indicadores de desenvolvimento social e emocional pode responder à necessidade de prevenir distúrbios e organizar estratégias que possam promover a saúde mental e atender às prioridades determinadas como direitos da criança, que destacam a creche e a pré-escola nesse papel, conforme prevê a lei brasileira, CRIAD 11 art. 28-CF (1).

A pré-escola é um espaço de desenvolvimento planejado para permitir o aproveitamento do potencial das crianças e suprir possíveis falhas da educação recebida em casa, colaborando com a família e a sociedade. Verificam-se, nessa etapa, crianças (entre três e seis anos) já apontadas como “problemas”, o que denota a necessidade de estudos que possam ser aplicados por professores e pais, redesenhando as questões do desenvolvimento infantil.

Psicologia Positiva e a Educação Infantil

A Psicologia Positiva se preocupa com os fatores de proteção, que são aqueles que inibem o prejuízo do risco a quePsicologia Positiva os sujeitos estão expostos. Risco designa os eventos que podem levar a resultados ineficazes, enfraquecendo a pessoa diante dos fatores de estresse.

A Psicologia Positiva se importa com a prevenção primária ou promoção de saúde através de medidas antecipatórias, e secundária, que se refere à adaptação produtiva, reconhecendo fatores de resiliência na criança.

Resiliência é a capacidade de resistir e alcançar uma resposta produtiva diante da adversidade que outros também vivenciam, porém, sem sucesso.

A ausência de resiliência, ou seja, a ação ineficaz dos recursos pessoais na superação de eventos negativos de vida é compreendida como vulnerabilidade, provocando comportamentos desadaptados e até sintomas psicopatológicos.

A identificação e compreensão dos fatores de resiliência podem favorecer estratégias integrando esforços da família, escola e comunidade, segundo VALLE, 2004 (2).

Desenvolvimento da Criança na Abordagem Ecológica

Bronfrenbrenner (3) afirma que cada criança cresce num ambiente social complexo (uma ecologia social), com um elencoTeoria Ecológica de personagens (irmãos, pais, avós, babás, professores, amigos) que, também, se inserem num sistema social mais amplo da comunidade (emprego, vizinhança) que obedecem a sistemas sociais mais distantes (por exemplo, uma decisão governamental pode interferir no padrão de vida pessoal de alguém, como acontece com um aumento no salário ou em impostos).

O modelo ecológico do desenvolvimento humano, proposto por Bronfenbrenner (4), privilegia a compreensão do ser humano de forma ampla e sistêmica. A criança deixa de ser alvo de atendimentos individuais, com base em seus processos internos, para ser entendida como uma pessoa em um sistema ecológico.

O desenvolvimento da criança é o resultado de todas as qualidades que ela traz para o sistema, mais os efeitos interativos de todas as camadas dos microssistemas, como a creche, os vizinhos, que podem afetar diretamente a criança ou de sistemas mais distantes, como das organizações educacionais. Se a criança está inserida num sistema de ambientes e é influenciada por eles, ela pode apresentar dificuldades de adaptação por diversos motivos, muitas vezes nem relacionados a uma dificuldade pessoal.

A integração entre os sistemas é indispensável até mesmo para o questionamento dos objetivos das creches, para não desvirtuar suas finalidades complementadoras, e não substitutivas da família, nem desconsiderar características pessoais, que envolvem aspectos neuropsicológicos relacionados às emoções, presentes nas habilidades sociais.

Habilidades Sociais

As habilidades sociais ocorrem dentro de um contexto interpessoal, com a finalidade de comunicar emoções, sentimentos, atitudes, direitos e interesses pessoais e são importantes as atividades que se dirigem a esse desenvolvimento, conforme Valle, 2008 (5).

Os primeiros anos de vida da criança são cruciais na formação de sentimentos a respeito do mundo que a cerca, das pessoas de diferentes faixas etárias, dos animais, das plantas, num processo que educa a sensibilidade da criança, e, portanto, a formação de bons hábitos de saúde e os valores morais. A educação moral e a afetiva não podem separar-se longo da educação da personalidade.

O Psicólogo na Pré-escola

A escola é um espaço vital para a promoção da saúde e o psicólogo precisa construir uma prática voltada para a interlocução com outras áreas de conhecimento, articulando com outras competências uma ética de transformação social e um novo conceito de saúde. O Psicólogo Escolar precisa se unir à pluralidade de vozes e estilos que compõem o mundo da criança. A educação impõe-se como um caminho inevitável para atender às desigualdades sociais e permitir a inclusão de todos.

Referências:

1. CRIAD 11 art. 28-CF. Em T. S. Pereira, Direito da criança e do adolescente: uma proposta interdisciplinar. Rio de Janeiro: Renovar, 1996.

2. VALLE, LELR do e GUZZO, RSL. Desenvolvimento Infantil. Ribeirão Preto, SP: Editora Tecmedd, 2004.

3. BRONFENBRENNER, U. e MORRIS, P. (1998). The ecology of developmental process. In: W. Damon (Org.), Handbook of child psychology (Vol. 1, pp. 993-1027). New York, NY: John Wiley & Sons.

4. BRONFENBRENNER, U. The ecology of cognitive development: Research models and fugitive findings. In: R. H. Wozniak & K. Fisher (Eds.), Scientific environments (pp. 3-44). Hillsdale, NJ: Erlbaum, 1990.

5. VALLE, LELR do. Brincar de Aprender: Uni-duni-tê, o escolhido foi você. Rio de Janeiro: WAK Editora, 2008.